Superei os meus defeitos simples,
só para ser derrotado nas coisas importantes e fundamentais.
Consegui dar a aparência do homem independente quando necessitava,
desesperadamente, de uma companhia.
Chegava aos lugares e todos me olhavam, mas geralmente terminava a noite sozinho, em casa, a olhar o vazio.
Dei a todos os meus amigos a impressão e ser um modelo que eles deviam invejar,
e gastei o melhor das minhas energias tentando comportar-me à altura da imagem que
criei para mim mesmo.
Por causa disso, nunca me sobraram forcas para ser eu mesmo, uma pessoa que, como todas as outras do mundo, necessita dos outros para ser feliz.
Vou deixar que o sentimento venha, sem me preocupar se é bom ou não.
Basta de autocontrolo, de máscaras, de posturas convenientes.
O meu desejo?
Ser feliz. Tão básico e tão difícil ao mesmo tempo.
O que procuro?
Alguém. O 'alguém' já diz tudo. Para se ser alguém, um verdadeiro alguém, é preciso ser-se alguém... Confuso... Ou nem tanto assim. É, de facto, muito simples. Não posso dizer que procuro algo de especial nas pessoas... As pessoas são aquilo que são. E eu, ou encontro algo que me agrade nelas (senão tudo mesmo...), ou então não e está tudo estragado...